A força do Mundo que está a mudar o Interior de Portugal
Texto Daniela Jogo  •  Fotografia Carlos Carneiro  •  Vídeo Eduardo Fortunato
Repovoar por amor à camisola e ao Interior
Câmaras pagam para segurar a vida no Interior
A força do Mundo que está a mudar o Interior de Portugal
Do litoral para o Interior, uma vida familiar no inverso
Quando o Interior é uma janela de inovação aberta ao Mundo
Em Portugal, vivem 1.543.607 cidadãos estrangeiros. De Norte a Sul, a imigração ganha relevo, quer no reforço da mão de obra, quer no repovoamento de territórios outrora relegados. O Litoral continua a concentrar a maior fatia do fluxo migratório, mas, nos últimos anos, o ritmo do Interior tem conquistado cada vez mais pessoas. A imigração assume hoje novos contornos: a procura por qualidade de vida cresce nos lugares onde a vida encontra espaço para respirar.

Castelo Branco é o exemplo perfeito. A região da Beira Baixa passou de território de partida para ponto de chegada. No coração de Portugal, o distrito teve um aumento exponencial do número de estrangeiros entre 2014 e 2024. Segundo dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), os residentes estrangeiros na região passaram de 3072 para 18.365, correspondendo a um aumento de quase 500% em dez anos. O que significa, tendo em conta o universo de 180.889 habitantes do distrito, que 10% da população é imigrante.
Estrangeiros escolhem o Interior do país à procura de um novo estilo de vida
Imigrantes a viver no distrito de Castelo Branco

Fonte: SEF e AIMA / INE
Naquele período de dez anos, 15.293 estrangeiros instalaram-se nos municípios daquela região, sendo a capital de distrito a mais atrativa. As 19 freguesias de Castelo Branco são muito procuradas pelo custo de vida acessível, pela qualidade de vida e também pelo acolhimento. E Salgueiro do Campo reúne estas características.
Para António José Perquilhas, presidente da junta de freguesia, a presença dos imigrantes é uma mais-valia para o território
Onde o silêncio deu lugar ao pulsar do Mundo
As ruas estreitas de Salgueiro do Campo percorrem-se devagar. António José Perquilhas, presidente da junta de freguesia, anda sem pressa debaixo do sol que abraça a aldeia. Cumprimenta quem passa, trata todos por tu e dá duas de letra. Despede-se com um carinhoso “bem-haja” e recebe outro de volta.

Tozé, como gosta que o tratem, é um homem da terra e do povo. Conhece os fregueses que o elegeram pela primeira vez nas últimas autárquicas - e as suas histórias também. Ali nasceu, cresceu, casou e criou os dois filhos. Nunca quis outros voos e, por isso, testemunhou de camarote o que o envelhecimento e o êxodo rural fizeram ao território: as casas que nunca mais viram a luz do dia, os terrenos invadidos pelas ervas, o burburinho que deu lugar ao silêncio e os jovens que levaram consigo o pulsar da aldeia. “Do meu ano, estamos cá dois casais. Daí até então, muitos mais foram embora, inclusive um dos meus filhos”, conta o homem de 60 anos.

Perda de população em Salgueiro do Campo
Em 71 anos, a aldeia perdeu 1865 pessoas, o que representa uma quebra de aproximadamente 70,5%. A população diminuiu mais de dois terços ao longo das últimas décadas.

Fonte: INE
Entre 1950 e 2021, a freguesia albicastrense perdeu cerca de 70% da população, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A desertificação do Interior é um fenómeno antigo, justificado muitas vezes pela falta de oportunidades e pela centralização económica no Litoral. No entanto, o panorama está a mudar com os que “são de fora e criam vida” na aldeia. Onde antes havia casas fechadas e ruas vazias, há agora novas vozes e muitas delas não soam em português. “A partir do momento que chegou o primeiro [estrangeiro], isto começou a intensificar-se.” O movimento, explica, foi crescendo de forma quase orgânica: quem chegava gostava e hoje são mais de 200 os estrangeiros que vivem na freguesia de 30km2. Em 2024, o concelho tinha já 5832 estrangeiros a residir.

Os preços baixos e os terrenos acessíveis seduzem à primeira vista, mas a aldeia revela-se após um olhar mais atento. “Estamos muito bem localizados, a nove quilómetros da sede de distrito. Temos piscina, restaurante, farmácia, posto médico, escola primária e posto de abastecimento. Estamos muito bem servidos”, argumenta António José.
Os estrangeiros chegam de todo o lado. Há holandeses, ingleses, alemães, israelitas, norte-americanos, entre outros. Procuram uma nova vida. Paz, sossego e aquilo que só o Interior, ancorado na natureza, pode oferecer. Há em Salgueiro do Campo uma pitada do Mundo e Petra Diepstra, Philip Else e Marleen H. fazem parte da receita.
Lenny, filho de Marleen, é um dos 40 meninos que frequenta a escola primária
O recomeço a quilómetros de casa
Quando Marleen H., de 39 anos, chegou a Portugal, com o namorado e o filho de dois anos, tinha apenas uma fantasia na cabeça e 7500 euros. O nascimento de Lenny em 2018 mudou a forma como a alemã encarava a vida. “Cada vez que saía de casa para trabalhar sentia que vendia o meu tempo, tempo precioso que gostaria de passar com o meu filho. E então quis mudar para uma vida mais simples”, explica a tradutora literária.

Os vídeos de um casal holandês a viver Portugal despertaram o interesse.“Eles mostravam a filha na horta e na natureza. Quando vi aquilo, chorei”, conta. Chegaram a Castelo Branco por recomendação de outros estrangeiros e com 7500 euros compraram o sonho: um terreno com uma ruína, um poço e algumas árvores. Trocaram Osnabruque, no noroeste da Alemanha, pelo Interior português em abril de 2021.

Mas o recomeço não foi um mar de rosas. Ao fim de três meses em Portugal, Marleen separou-se do companheiro de sete anos e viu-se sozinha, sem família e amigos. “Quando ouvi português pela primeira vez, não percebi nada. Havia algumas pessoas que falavam um pouco de alemão, no entanto, sentimo-nos bem-vindos”, confessa, num português tímido.
Esforçou-se para aprender o idioma porque não queria isolar-se. Começou por ler livros e hoje é o filho, Lenny, aluno do segundo ano do 1.º Ciclo, quem mais a ajuda. Com sete anos, fala alemão, inglês e português. Se não fossem os filhos dos imigrantes, a Escola Básica de 1.º CEB de Salgueiro do Campo já não teria as portas abertas, assevera o presidente da junta de freguesia. “Tem 40 meninos e mais de metade deles são estrangeiros. O que também dificulta o trabalho dos professores, porque não é só ensinar o AEIOU, mas a nossa língua também.”
Estrangeiros estão a revitalizar os negócios da aldeia
Comunidade abraça estrangeiros
Consciente dos benefícios, quem é da terra não faz cara feia a quem chega. “A população é bastante acolhedora” e os estrangeiros retribuem como podem, diz António José. Graças a eles, “faz-se mais movimento” seja a nível “de restaurantes e mercearias”.

Foi à boleia da simpatia dos portugueses que Petra Diepstra encontrou um lugar para dar aulas de ioga. A viver em Portugal há quatro anos, trocou a agitação dos Países Baixos pela serenidade do Interior, onde encontrou um espaço para uma nova vida sem esquecer a paixão de sempre. “Eu queria organizar retiros de ioga e dar aulas, por isso comecei a perguntar onde podia ensinar. Já vinha cá [ao Centro Cultural e Recreativo] de vez em quando tomar café ou beber um copo de vinho, e foi assim que comecei a organizar as turmas”, explica a holandesa de 52 anos.
Petra dá aulas de ioga todos os sábados no Centro Cultural e Recreativo de Salgueiro do Campo
Ao todo, são 25 alunos, divididos em duas turmas, uma em Salgueiro do Campo e outra na vizinha Juncal do Campo. “As pessoas têm curiosidade e aparecem. Gostam e trazem amigos. E apesar de ter mais estrangeiros nas aulas, também tenho várias alunas portuguesas. É uma ótima forma de conhecer pessoas”, afirma.
Foi o amor por Harold que conduziu Petra até à ponta ocidental da Europa. O marido que já tinha vivido em Portugal nos anos 90 manteve vivo o desejo de regressar. “Eu nunca tinha estado cá, mas quando conheci o país, apaixonei-me pela natureza e pelas pessoas”, conta.
Muitos estrangeiros fazem questão de aprender português para comunicar com o povo da aldeia
Aprender o português do dia a dia
Tal como Petra, Philip Else e Patricia Kelly também ansiavam por uma vida mais tranquila e, “fartos” do Reino Unido, começaram a procurar uma nova morada depois da pandemia. “Vimos o País de Gales, muito caro. Tentámos a Escócia, muito frio. Pensámos em ilhas, demasiado húmido. Viemos passar férias a Portugal e achámos as pessoas daqui incríveis”, afirma o britânico de 60 anos. Visitaram Salgueiro do Campo e foi amor à primeira vista.

Dividem os dias entre o jardim, a horta, os jogos e os livros e às quintas-feiras dedicam-se ao português. Com outros estrangeiros, integram as turmas do PLIN - Português Língua de Integração, um projeto de ensino da Associação Amato Lusitano para imigrantes no concelho.


Philip Else comprou casa em Portugal depois da pandemia

“Para mim era uma condição aprender a língua, porque, se vou viver aqui vários anos ou até para sempre, tenho de saber falar português. Mas descobrimos que há mais pessoas a falar inglês do que pensávamos. Até a Dalila do café, que quando chegámos não falava inglês, agora já fala um pouco”, refere Philip, sorridente.
Para António José, os habitantes da aldeia só têm a ganhar com a presença dos estrangeiros e faz de si exemplo: “Eu dizia poucas palavras em inglês e em francês, mas neste momento já sou capaz de dizer mais três ou quatro”, garante. “A malta que está a entrar [no país] está a entrar no nosso sistema também, e as pessoas gostam umas das outras”.

“Sinto-me em casa e não tenho planos de vender o terreno, porque acredito que vou morrer aqui”, confessa Marleen. Um sentimento partilhado por Philip e Petra que têm “a certeza” de que vão passar o resto da vida neste recanto da Europa.


Aldeia tornou-se ponto de encontro entre comunidades

António continua a percorrer as ruas, a conversar com as pessoas e a criar pontes entre quem chega e quem cá estava. Conhece muitos dos estrangeiros pelo nome, trata-os por tu e brinca com eles com a naturalidade de quem os sente parte da comunidade. “Não devemos construir muros. Pelo contrário, devemos derrubá-los”, defende o presidente da junta.
Narion e Carlos vivem no centro do Fundão desde novembro de 2021
Fundão, a terra do acolhimento
Quem também se tem mostrado mestre na arte de receber e acolher tem sido o Fundão. A pouco mais de 40 quilómetros de Salgueiro do Campo, o concelho sentiu “na pele” os efeitos da desertificação: entre 1950 e 2021, perdeu 46,9% da sua população, passando de 49.941 habitantes para 27.285. E esta perda de residentes só se inverteu com a chegada de estrangeiros.

Evolução Demográfica no Concelho do Fundão
O concelho do Fundão enfrenta duas realidades demográficas distintas: por um lado, o declínio contínuo da população residente desde meados do século passado; por outro, a rápida fixação de novas comunidades estrangeiras no território ao longo das últimas duas décadas.
População Residente Total
1950 49 941
2024 27 285
População Estrangeira
2008 387
2024 2 744
10,1% da população residente no Fundão já é de nacionalidade estrangeira
Fonte: Pordata, C. M. Fundão e INE
Desde 2008 que os imigrantes com estatuto legal de residência no município têm aumentado e em 2024 eram já 2744, representando mais de 10% da população no Fundão. Estima-se que cerca de 75% sejam cidadãos de países que não pertencem à União Europeia, com destaque para a comunidade brasileira. Tal como no resto do país, os cidadãos do país sul-americano são os que mais procuram Portugal para viver.

Brasileiros a viver em Portugal
A comunidade brasileira em Portugal registou um crescimento exponencial na última década, disparando a partir de 2018 e atingindo em 2024 o valor histórico de quase meio milhão de residentes legais.

Fonte: SEF e AIMA
Em 2024, o número de brasileiros a residir no país estava nos 484.546, representando 31,4% comunidade estrangeira residente. A partilha da língua portuguesa facilita a integração no mercado de trabalho e no ensino e o sentimento de segurança seduz a maioria.
A hora de almoço é sagrada para a família de Curitiba, que aproveita o momento para confraternizar
De Curitiba ao Fundão: construir casa do outro lado do Atlântico
A mudança para Portugal não fazia parte dos planos de Narion Coelho e do marido, mas a oportunidade surgiu após Carlos Bastos Filho ver uma publicação no Facebook de um amigo a viver no Fundão, “onde havia muito trabalho” e a vida era “maravilhosa”. Curioso, enviou o currículo sem grandes expectativas e, após algumas entrevistas, estava de malas feitas rumo à Europa.

“Quando nos mudámos para Taiwan, em 2011, ficámos sempre com a ideia de repetir a experiência porque gostámos muito de morar fora, conta o engenheiro eletrónico de 48 anos. Em poucos dias, o casal teve de decidir entre três destinos - Lisboa, Porto ou Fundão -, mas, nos prós e contras, a balança pendeu para o último.


No Fundão, Carlos Bastos Terceiro vai a pé para a escola ao contrário do que acontecia no Brasil


“Pedimos para conversar com pessoas dos três lugares, para perceber o que tinha cada um e o que gostavam e, quando o Lírio falou do Fundão, que era bom, que os filhos andavam sozinhos na rua, que as crianças iam sozinhas para a escola, foi aí que pesou”, explica Narion. Com dois filhos menores, Carlos e Vítor, o aconchego da pequena cidade foi decisivo para a família, que ansiava mais por uma mudança de vida do que de país. “Vir para um lugar pequeno, onde eles pudessem vir a casa e não precisavam de ficar o dia todo na escola, acabou por pesar”, recorda a mãe, de 46 anos. Em novembro de 2021, a família trocou Curitiba, no sul do Brasil, pelo interior de Portugal.


A vida numa cidade pequena
O casal tinha um objetivo maior: dar mais qualidade de vida aos filhos e a si próprios. No Fundão, há menos pessoas, as distâncias encurtam-se, o tempo ganha tempo e a rotina fica mais fácil. O trabalho deixou de estar a 45 minutos de carro para ficar a três minutos a pé. As idas para a escola já não se fazem com a boleia da mãe, mas a pé com a independência e segurança.

“Aqui é muito mais seguro e, mesmo sendo um dos países mais pobres da Europa, infelizmente, já é bem melhor do que a economia brasileira”, admite o filho mais velho, Carlos Terceiro (é o terceiro da família com o mesmo nome). “Para nossa segurança e para a segurança dos meninos, facilita muito viver no Fundão, uma cidade pequenina onde toda a gente se conhece”, confessa Narion - sentimento partilhado pelo marido, para quem a “tranquilidade do Fundão é uma maravilha”.

Para os filhos, a mudança significou começar do zero, numa nova escola sem amigos, mas a maior dificuldade foi mesmo entender o português de Portugal. “Para qualquer país que tu vais tens que te habituar à turma. Mas a questão da língua, realmente, foi um choque no começo, mas meio ano depois já entendia bastante”, admite Carlos Terceiro, de 17 anos. Já para o irmão mais novo, Vítor, a adaptação foi mais fácil.
Narion fundou a Associação de Apoio Brazuca e Amigos e abriu uma loja de produtos brasileiros
Da saudade à construção de comunidade
No Brasil, deixaram a família de sangue e, em Portugal, construíram uma de raiz. “Assim que chegámos, entrámos em alguns grupos de WhatsApp para conhecer outras pessoas que viviam cá e fazer amigos”, conta Carlos.

Foi esta comunidade que abriu portas a Narion, que descobriu o amor pelo associativismo com a Associação de Apoio Brazuca e Amigos (AABA), que auxilia imigrantes na adaptação ao país. “Surgiu com o intuito de ajudar as pessoas a integrarem-se, tanto os locais com os que chegaram, como os que chegaram com os locais. E, para integrar, é preciso ajudar nas coisas do dia a dia”, explica. Organizam eventos, prestam apoio prático e atuam como mediadores em situações mais complexas, desde questões burocráticas a desafios em contexto escolar.
À boleia da comunidade que criou com a AABA, a brasileira decidiu abrir a Empório CWB. A ideia surgiu de uma necessidade: ter produtos brasileiros nas prateleiras de casa. Inicialmente organizada através de compras coletivas online, o projeto evoluiu para a criação de uma loja física no centro do Fundão.

Mais do que um negócio, o espaço tornou-se num ponto de encontro, que vai além da venda de produtos: recria memórias, proporciona conforto emocional e aproxima culturas. “O brasileiro já conhece e vem buscar aquilo de que tem saudade. O português ouve falar e quer experimentar.”
Carlos e Narion consideram que foram “privilegiados” na forma como decorreu o processo de imigração. Chegaram com contrato de trabalho, visto e apoio de uma empresa, além de uma lista de imóveis disponíveis para a família. Ainda assim, reconhecem sinais de mudança. Através da associação, Narion recebe relatos de episódios menos acolhedores, ainda que raramente formalizados. O receio de represálias ou complicações legais leva muitos imigrantes a não denunciarem situações discriminatórias.


Produtos da Empório da CWB são procurados por brasileiros, mas também por portugueses

Há também a perceção de que o discurso público sobre imigração se tem intensificado, um fenómeno que, segundo Narion, pode evoluir de palavras para ações. A resposta, acreditam, passa pela proximidade e pelo exemplo: com eventos para todos, colaboração com iniciativas locais e participação ativa na vida comunitária.
Há cinco anos a viver no Fundão, família não tenciona regressar ao Brasil
Futuro em aberto
Ao fim de quase cinco anos no Fundão, a família não pensa em regressar ao Brasil. “Quando voltarmos, será para visitar, mas ainda vai demorar. Agora incentivamos os amigos e os familiares a virem cá. Afinal de contas, nós estamos na Europa e eles não conhecem”, brinca o pai Carlos.

O futuro permanece em aberto, mas o objetivo consiste em criar os filhos num ambiente estável. Por isso, não tencionam sair do Fundão, também pela localização estratégica: “Estamos a duas horas e meia de Lisboa, duas horas e meia do Porto, duas horas e meia de Espanha.” Querem continuar a explorar o território, participar em festividades locais e reforçar laços. “Portugal é a casa que escolhemos agora”, afirma Narion.
Desenvolvimento Tiago Coelho
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